quarta-feira, 8 de julho de 2020

domingo, 5 de julho de 2020

A tela e o desenvolvimento humano – Elvira Souza Lima




Elvira Souza Lima é pesquisadora em desenvolvimento humano, com formação em neurociências, psicologia, antropologia e música.



Que impacto tem o computador e outros artefatos tecnológicos no desenvolvimento e na formação humana? São centenas as pesquisa sobre a interação homem e tecnologia. Uma temática muito pesquisada é a interação com os equipamentos tecnológicos com tela.

Tecnologia e infância combinam?

A exposição à tela iluminada (TV, computador, celular, ipad, etc), segundo vários pesquisadores, pode impactar negativamente o desenvolvimento humano. Tanto é que a Associação Nacional de Pediatria dos Estados Unidos recomenda que crianças até dois anos não sejam expostas à tela. Razão: a tela plana interfere no desenvolvimento da visão que acontece ao longo dos dois primeiros anos de vida. Um outro motivo: a limitação que o uso dos equipamentos tecnológicos acabam por acarretar no desenvolvimento da criança, pelo fato de que, frente à televisão ou computador, ela não realiza outras atividades básicas que garantem a formação de memórias a partir das experiências com os outros sentidos e dos movimentos do corpo no espaço. Além, naturalmente, de experiência com os
objetos e pessoas do mundo real.

Há muito que pesquisar sobre o uso da tecnologia, porém é sempre bom lembrar que todo e qualquer equipamento tecnológico faz parte da cultura humana e que o cérebro se desenvolve em função da cultura. O desenvolvimento do cérebro é de natureza biológica e cultural. O cérebro se forma, se desenvolve e amadurece com base na genética da espécie e pelas experiências de vida de cada um. O cérebro tem enorme plasticidade, ou seja, é capaz de se organizar e reorganizar continuamente durante toda a vida do ser humano.

A plasticidade é maior na primeira infância, mas se mantém durante a adolescência e toda a vida adulta. Esta é uma característica importante do desenvolvimento: a possibilidade de modificações e mudanças a qualquer idade. Até na ocorrência de acidentes cerebrais, lesões ou outras condições biológicas adversas, o cérebro é capaz de se reorganizar funcionalmente. Oliver Sacks escreveu extensivamente sobre casos clínicos de patologias e acidentes cerebrais e a capacidade de reorganização do cérebro apresentada por muitos pacientes e inclusive de sua experiência pessoal, como a perda de visão de um olho (O olhar da mente, de Oliver Sacks). Em uma pessoa cega, por exemplo, o cérebro se modifica desenvolvendo mais os sentidos do tato e da audição, dois sentidos em que o cego se apoia para percepção e ações que seriam próprias da área do córtex visual.

Nosso cérebro é, portanto, dinâmico. Conforme nos diz Kandel, prêmio Nobel de Medicina em 2000 (pela descoberta sobre a formação e funcionamento de memórias de curta e de longa duração): “O cérebro não é estático, ele é plástico!” Ele responde às mudanças nos contextos em que a pessoa vive ou frequenta. É o que mostra o documentário Em Busca da Memória.

Ao longo da história cultural do ser humano as invenções, aquisições e produções em cada período histórico suscitam respostas ou diferenciações no cérebro e provocam mudanças significativas em seu funcionamento.

Vejamos o exemplo da escrita. A escrita é uma invenção, é um produto cultural criado pelo ser humano. Não há no cérebro uma área destinada a aprender a ler ou a escrever, como acontece com a fala. Para ler e/ou escrever, o cérebro passa por um processo de mudança formando redes neuronais específicas para compreender os significados ao se ler um texto e para criar significados quando se escreve um texto. Isto acontece precisamente porque, como observamos, não há uma área específica no cérebro para a aprendizagem da leitura e da escrita.


Dehaene, neurocientista francês, um dos maiores especialistas em cérebro e escrita, em seu livro Neurônios da Leitura, esclarece que “ um dos efeitos maiores da escolarização é o aumento da capacidade da memória.” Segundo ele “ há ainda modificações anatômicas como é o caso do corpo caloso que se espessa na pessoa que aprende a ler.”(Dehaene, Neurônios da Leitura, 2012, pg. 227).


A invenção da escrita, a invenção da imprensa e agora a invenção de novos instrumentos tecnológicos e novos usos da tecnologia na vida cotidiana causam impacto na história evolutiva da espécie. E, como mostram as pesquisas da neurociência acumuladas nas últimas décadas, há certamente um impacto no desenvolvimento e e funcionamento do cérebro, porém, não a ponto de que, após cinco mil anos de existência da escrita, o cérebro dispense ensino, exercício e sistematização para se tornar um cérebro
capaz de ler e de escrever. O cérebro se modifica anatomicamente, mas destas modificações não resultam que ler e escrever se desenvolvam naturalmente como a fala.


A leitura e a escrita precisam ser ensinadas e é necessário muito estudo para que uma pessoa, em qualquer idade, se aproprie da estrutura básica do sistema linguístico de qualquer língua escrita, alfabética ou ideográfica.


Para ler, diz ele, há que se formar uma nova estrutura no cérebro, que ele chamou de “boîte aux lettres” (tradução livre, caixa de letras). Esta estrutura possibilita aprender a lidar com o sistema simbólico da escrita, em qualquer língua. Ela é resultante da plasticidade do cérebro e revela que uma invenção cultural impacta e promove modificações no cérebro. É o que acontece, também, com instrumentos tecnológicos e com o uso da tecnologia.


Tecnologia e cérebro


Tecnologia sempre houve na espécie humana: o desenvolvimento tecnológico se realiza pela transmissão cultural em que uma geração passa à seguinte os conhecimentos, metodologias e instrumentos. O extraordinário desenvolvimento da tecnologia do século XX se deu, primeiramente, pela ampliação do acesso à escolarização. E trouxe, como consequência, situações novas não experimentadas pela espécie humana anteriormente, como, por exemplo, o domínio no manejo dos aparatos tecnológicos. Hoje os mais novos, crianças e jovens, aprendem e usam instrumentos tecnológicos com maior destreza do que os adultos. Maior destreza não significa, no entanto, maior conhecimento e maior capacidade de formar conceitos e trabalhar mentalmente com informações das áreas de conhecimento formal.


Daí podemos inferir que novos produtos culturais têm um impacto no cérebro e não poderia ser diferente pois o desenvolvimento do cérebro é função da cultura, incluindo, naturalmente, os contextos contemporâneos disponíveis ao ser humano, presenciais e à distância.


Revista Carta Capital, outubro, 2014




sábado, 4 de julho de 2020

quinta-feira, 25 de junho de 2020

terça-feira, 23 de junho de 2020

Elvira Souza Lima EMERGENCY CURRICULUM FOR EDUCATION DURING AND AFTER THE PANDEMIC




Elvira Souza Lima

EMERGENCY CURRICULUM FOR EDUCATION
DURING AND AFTER THE PANDEMIC


June 2020
.

"The corona virus pandemic brought didactic concepts to the forefront of the educational scene. After a long time focused on evaluation, teaching issues are now highlighted by the closure of schools and in the various alternatives proposed and developed to continue with the schooling of children and youth. Pedagogy is indeed being reassessed and re-signified in the context of the pandemic and specially didactic practices and concepts. We present and discuss the general main components of a emergency curriculum that meets requirements for human development and social life at a time of great new challenges for the current generations."

domingo, 7 de junho de 2020

CURRÍCULO EMERGENCIAL PARA A EDUCAÇÃO DURANTE E APÓS A PANDEMIA (JUNHO 2020)

ELVIRA SOUZA LIMA


“(...) A gente não fez outra coisa nos últimos tempos senão despencar. Cair, cair, cair. Então por que estamos grilados? Vamos aproveitar toda a nossa capacidade crítica e criativa para construir paraquedas coloridos. Vamos pensar no espaço não como um lugar confinado, mas como o cosmos onde a gente pode despencar em paraquedas coloridos.”
                             
  Ailton Krenak


1. PRESSUPOSTOS

Somos seres sociais, dependemos de ações compartilhadas, de vários tipos de interação com o outro, das pessoas com quem mantemos relacionamento afetivo, bem como precisamos de um contexto cultural que nos dê suporte simbolicamente.

Uma ruptura no tecido social que nos acolhe e nos dá as bases simbólicas de pensamento e instrumentação para ação, acaba por provocar instabilidade no funcionamento do sistema emocional que, por sua vez, pode impactar a saúde do próprio corpo.

Com a atual pandemia, houve uma quebra momentânea no convívio social, afetando os laços de afetos e exercício da empatia pela suspensão de ações de comunicação social direta.  Esta é uma experiência difícil para qualquer pessoa.

Sentimos uma vulnerabilidade física e psicológica, ficamos em quase constante estado de alerta. Nosso cérebro encontra-se acuado. No entanto, a modificação desta realidade não depende de nossa vontade. Temos um inimigo real, do qual ainda não temos proteção, nem sabemos como a situação irá evoluir.

Estamos inquietos, estamos com medo e procuramos navegar no cotidiano afetados por estas emoções, buscando seguir com alguma rotina que nos lembre, de alguma forma, a organização anterior em nosso dia a dia.  A situação de medo e estresse que se instalou gera no cérebro a liberação de substâncias químicas negativas, digamos assim. Precisamos, na verdade, contrabalançar os processos químicos de stress no cérebro com processos químicos que nos fazem sentir bem.
Se não podemos mudar a realidade no momento, podemos modificar nossas reações incluindo atividades benéficas, que liberam substâncias químicas que nos fazem sentir bem e atingem a área de recompensa do cérebro.

A escola se apresenta, nesta situação, como um campo promissor de ação. Ela envolve várias gerações e, por sua própria natureza, implica um espaço cultural de interação humana, ao qual todos retornarão futuramente, mas que por ora funciona à distância.

LEIA MAIS AQUI 

ARQUIVO PDF AQUI

A música na paisagem - Cadernos do Cepaos - publicação avulsa, junho 2020, PDF

Marcelo Guimarães Lima





Marcelo Guimarães Lima - A Música na Paisagem,
documentos ocasionais/ occasional papers
 Cadernos do Cepaos, junho 2020,PDF




"É sabido que a paisagem do Rio de Janeiro inspirou Villa Lobos: as formas gráficas da linha das montanhas na baía da Guanabara serviram ao compositor de ponto de 
partida para o desenho melódico e rítmico na sua Sinfonia n. 6, explicitamente 
denominada "Sobre a Linha das Montanhas do Brasil" (...)
Uma montanha do Rio de Janeiro, o morro "Dois Irmãos", inspirou, no que poderíamos chamar de "linhagem imaginativa e criativa de Villa Lobos", a canção homônima de Chico Buarque de Holanda no álbum "Chico Buarque" de 1980. (...)"




Chico Buarque e o "Morro Dois Irmãos":
a canção na paisagem, a paisagem na canção





sexta-feira, 3 de abril de 2020

CÉREBRO EM TEMPOS DE QUARENTENA - ELVIRA SOUZA LIMA

Elvira Souza Lima

Como fica o cérebro nesta situação da quarentena do coronavírus?

O primeiro ponto a considerar, muito importante, é que a pandemia provocou uma ruptura. Muito rapidamente o contexto de vida, interações, rotina e expectativas do futuro imediato foram alterados bruscamente por uma situação nova e desconhecida para a qual a nossa memória não oferece acervos para responder.

Nós compreendemos as coisas e tomamos decisões com a participação de nossas memórias e de nossas emoções. A dificuldade no momento atual, com a pandemia, é que nunca passamos por algo semelhante. As rotinas que regulam nossa vida (família, trabalho, lazer, escola), as prioridades que estabelecemos são apoiadas no script/roteiro do nosso dia a dia e foram, repentinamente, solapadas  e terão que ser constituídas em outros termos.

No cérebro acontece uma descontinuidade química e surge a necessidade de estabelecer outras redes neuronais que deem sustentação à ação.

A reorganização no funcionamento cerebral não é instantânea, não depende somente da vontade ou deliberação. Demanda tempo.

Nós não mudamos de um momento para outro, é sempre um processo de adaptação e modificação, com avanços e retrocessos, processo este que vai definindo o percurso para formar comportamentos necessários para reagir a uma situação nova.

Um aspecto importante é que, no cérebro, haverá uma mobilização do sistema emocional de tal forma que muitas emoções emergirão. Medo é uma delas: medo do novo, medo de ser infectado, medo de que pessoas queridas o sejam e não resistam. Incerteza é outra consequência: não temos indicadores de evolução e possível término desta nova situação, pois não se sabe muito sobre o vírus e sobre as consequências. Incerteza gera insegurança. No cérebro, estes sentimentos acontecem com químicas que são liberadas em situação de estresse e que afetam bastante o estado de espírito e o humor. Então é um momento que precisamos, com certeza, buscar  um equilíbrio com a liberação de químicas que concorrem para o bem estar.

Como fazer para equilibrar ?  Algumas providências simples ajudam. Vejamos:

O cérebro precisa de pausas. Isto significa que precisa de sono, então uma das vertentes principais deste novo momento em que estamos todos imersos é garantir o sono, preservando os olhos da luz das telas de celular  e computador pelo menos uma hora antes de dormir.

O cérebro precisa de pequenos períodos de repouso, 10 a 15 minutos duas a quatro vezes por dia, ao menos.

O cérebro precisa de oxigênio, então práticas de respiração lenta e profunda contribuem bastante, assim como meditação e yoga. Exercícios físicos, que podem ser acompanhados por música, são igualmente importantes, por liberarem químicas que produzem bem estar.

O cérebro precisa ser “alimentado” pela vivência e práticas culturais que promovem a liberação de químicas positivas, ou seja, aquelas que nos fazem sentir bem.

Nesta situação de ruptura, em que há uma demanda do pensamento crítico e da criatividade para ajudar nosso pensamento, podemos e devemos recorrer às artes.

Das formas de arte, a música é a mais pesquisada pela neurociência. Temos um cérebro musical, ou seja, um cérebro que responde geneticamente à música e por ela é transformado. Todos cantamos, sem precisar estudar música, tanto a escuta como a produção de melodia com nossa voz é uma  característica da espécie, que se manifesta muito cedo no bebê e permanece em todos os períodos de desenvolvimento. A música atua diretamente no sistema emocional, promove o contágio entre as pessoas, sendo assim, também, um fator importante nas interações interpessoais na situação de quarentena.

Ouvir música, assistir a espetáculos musicais na internet, cantar, tocar um instrumento caso se tenha estudado música, dançar (que integra música ao movimento) devem integrar a rotina diária.

Outra atividade das artes cujo impacto no cérebro já tem sido pesquisado é a literatura. São inúmeros os benefícios da leitura de obras de qualidade, mesmo que poucas páginas por dia. A poesia tem um efeito positivo no funcionamento do cérebro, muito além do que livros de autoajuda.

Então este é um momento oportuno para trazer a literatura para o cotidiano, tanto a leitura feita individualmente, como em atividades coletivas em casa. Também podemos criar grupos online voltados para leitura e conversas sobre obras literárias.

É uma ruptura, estamos vivendo uma ruptura, que, dialeticamente,  constitui uma possibilidade de criação de estratégias de humanização. E isto fazemos, também, com diálogos.



quinta-feira, 2 de abril de 2020

Elvira Souza Lima - Pandemic and the Brain

Elvira Souza Lima , PhD

How does the brain respond to the present quarantine situation due to the corona virus pandemic?
The first point to consider, and this is very important, is that the pandemic has generated an experience of rupture in daily life. This happened very fast. A new and unprecedented situation altered everyday contexts, normal interactions and common expectations for the immediate future. In this new situation we can´t rely on our memory to provide initial guidance based on accumulated past experiences.

We understand things and we make decisions with the help of our memories and our emotions. The difficulty now, with the global pandemic, is our lack of similar experiences to rely on. The routines that regulate our lives (family, work, leisure, education), the priorities we establish, are all based on our daily scripts, and that has been undermined and will have to be reconstructed in different ways.
In this situation, discontinuity in chemical processes occurs in the brain and with it comes the pressing need to build new neuronal networks to support new modes of action.

However, the reorganization of brain functioning is not immediate; it does not depend solely on will and deliberation. It requires time.

We can´t change our ways instantaneously: change is a process of adaptation and modification of behavior with different and related phases of progress and regression, and this process establishes a path that will help form new behaviors in order to confront a new situation.

An important aspect of such process is that our emotional system will be intensely involved in it, and different types of emotions will surface, Emotions such as fear: fear of the new situation, fear of being infected, fear for our loved ones. The distress of uncertainty in this occasion is another emotional affliction: at this time, we don´t have sufficient knowledge to understand how things will evolve and what will be the results when this situation comes to an end. Uncertainty creates insecurity.  In situations of stress chemical processes in the brain occur that include or generate substances that affect our emotional stability and our states of mind. At this point, we need to search for balance and to counter these effects with the help of other processes and their related chemical substances in our brain that result in experiences and feelings of well-being.

What can we do to balance the mind? Some simple steps can help.
Namely:

The brain needs pause, it needs to rest. That means, it needs sleep and therefore in our present situation we must guarantee a good night of sleep by protecting our eyes from the bright lights of screens, from portable phones and computers, starting at least one hour before going to bed.

The brain needs short periods of rest, 10 to 15 minutes, from two to four times a day.

The brain needs oxygen and therefore methods and techniques of slow and deep breathing are extremely useful to provide and regulate oxygen for the brain.

The brain needs to be “fed” by cultural practices and experiences that promote the circulation of positive chemicals, that is, those related to our feelings of well-being and good spirits.

Contexts of rupture demand critical thinking and creativity: to help our thinking we can and must count on the arts.

Neuroscience has produced a lot of research on music, more than on other art forms presently. We have a musical brain, that is, a brain that is genetically prepared or structured to respond to music and can in fact be transformed by music. We all are capable of singing spontaneously, that is, without having to take lessons on music, listening to or singing a melody is a characteristic of our species that is presented very early by babies. Music affects directly our emotional system, it produces emotional relationships and emotional contagion, that is, closely shared emotional experiences among people and therefore can be an important element in personal interactions in a situation of quarantine.
To listen to music, to watch musical presentations, shows and concerts on the internet, to sing, to play an instrument if you are able to, to dance (an art form that combines music and movement) are activities that must be part of the daily routine.

Literature is another art form whose impact on the brain has been investigated by neuroscience. There are important benefits related to the activity of reading quality works of literature. Poetry has a positive effect in the brain that goes deeper and way beyond anything that readers might or do expect from self-help books.

Therefore, this is a good opportunity to bring literature into daily life: reading at home individually or jointly. Also creating on line reading and discussion groups on literary works.

We are living a period of rupture that as such, dialectically, provides the opportunity to develop new strategies for humanizing our lives, and that can be done by fostering dialogue among all of us.

April 1st, 2020
.
download PDF

Elvira Souza Lima , PhD
Neuroscience – Psychology – Education

souzalima.elvira@gmail.com

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Da Invisibilidade na Sala de Aula ao Sucesso na Escrita e na Leitura - Elvira Souza Lima





Da Invisibilidade na Sala de Aula ao 
Sucesso na Leitura e na Escrita

A proposta deste livro é apresentar e refletir sobre a situação da população mais atingida pelo chamado “fracasso escolar” e questionar algumas das crenças correntes sobre a inteligência e capacidade para aprender destes alunos.

Não  há  dúvidas  que temos, no Brasil, situações complexas e desafiadoras na educação básica. De um lado, temos o fato de uma quantidade importante de alunos que não chegam a dominar a escrita. Por outro lado, temos o grande avanço das ciências do cérebro sobre como este se organiza para ler e escrever. Já foi demonstrado que a aprendizagem da leitura e da escrita são culturais, ou seja, não há um centro da escrita geneticamente determinado como há para a fala. A neurociência nos possibilita pensar que todos podem aprender a ler e a escrever.

Há cerca de 40 anos presto consultoria para redes de ensino, organizações sociais e edu- cadores em todo o país. Em quase todos os municípios, meu trabalho envolveu interagir diretamente com as crianças que não estavam aprendendo a ler e a escrever. Elas eram indicadas pelos educadores de cada escola e eram, em sua maioria, crianças negras. Em sala de aula, as meninas tendiam a ficarem retraídas e caladas, enquanto que os meninos, em sua maioria, apresentavam reação visível à rejeição e ao fracasso.

Todavia, sempre que intervenções pedagógicas culturalmente  significativas eram feitas, as meninas respondiam muito fortemente de forma positiva. Decidi, então, centrar este livro nas meninas negras. Como pude constatar ao longo destes anos de pesquisas e estudos etnográficos, ao abordar o tema das possibilidades de aprendizagem destas meninas com educadores, a situação de fracasso escolar desaparecia.  Uma vez que se modifique o conceito de “não capazes de aprender” e se introduza uma pedagogia culturalmente relevante, que inclui a história, a literatura e a cultura da população negra, temos a possibilidade concreta que todas aprendam e se desenvolvam.

Tais fatos evidenciados no Brasil estão na linha do que vivenciei nos muito anos vividos nos Estados Unidos com a inclusão de população negra infantil e juvenil nas escolas públicas. Pude constatar na prática como o racismo mina a autoestima e confiança dos alunos e como uma mudança no contexto pode alterar profundamente a crença em si mesmos. Pude testemunhar a mesma coisa no D.C. Family Literacy, programa desenvolvido nas prisões em Washington D.C. Este programa tinha  como objetivo ampliar a experiência dos presos e presas com a escrita, incluindo formá-los contadores de história para receber seus filhos no horário das visitas, utilizando a literatura, autores negros e a cultura negra. De comum a população tinha o fato de terem sido todos, sem exceção, excluídos da escola, quer por expulsão e evasão, quer por múltiplas retenções, sempre considerados como incapazes de aprender.  

Encarregada da avaliação continuada do Programa puder atestar o impacto que este causou, principalmente pela valorização da cultura, da história e da literatura negras. A mudança de percepção de si mesmo foi apontada por todos participantes como o estímulo para voltar a estudar (nos Estados Unidos é possível prosseguir nos estudos enquanto encarcerados).

Tendo acompanhado as famílias em suas comunidades e o desempenho escolar dos filhos, pude constatar a mudança positiva nas crianças e seu crescente sucesso escolar, à medida que o programa avançava. São todas histórias de sucesso e merecem ser divulgadas.

O livro tem como objetivo demonstrar a capacidade de aprender, respeitadas a diversidade e a natureza cultural do desenvolvimento humano.

Elvira Souza Lima



Nossa iniciativa é a realização de uma edição de 2000 exemplares para serem distribuídos em escolas, grupos e organizações sociais que, como sabemos, tem acesso limitado ou nenhum acesso à internet. Nestes espaços serão doados exemplares suficientes para permitir a leitura e o debate entre pais, professores e integrantes do grupo em geral.  

Estes livros serão oferecidos e socializados para leitura e estudo nos seguintes espaços:

Educação do Campo, nacional
Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias nas regiões NO, NE, S, SE
MTST nos estados de SP, RJ, CE e no DF
escolas públicas de MG, RJ e SP
escolas públicas situadas na região do Vale do Aço, MG
escolas públicas situadas na Zona da Mata, MG
escolas situadas nas zonas periféricas e comunidades da cidade do Rio de Janeiro, RJ
comunidade da maré, RJ
UNAS União dos Moradores de Heliópolis, SP
Comunidade de Paraisópolis, SP
MSTC  (Movimento Sem Teto do Centro de São Paulo), SP
MST  Escola Florestan Fernandes e assentamentos,  SP
Geledés,  SP
Fundação Cultural Palmares

Elvira Souza Lima tem doutorado pela Sor-bonne, França e pós-doutorado pela Stanford University, nos Estados Unidos. Com formação multidisciplinar em neurociência, antropologia, psicologia, linguística e mú- sica, desenvolveu  uma abordagem teórica inovadora que integra as dimensões bioló- gica e cultural do desenvolvimento humano que pode ser aplicada à  área de educação, em especial à aprendizagem da escrita.


PDF AQUI


COMO CONTRIBUIR 

R$ 270
Doação de 40 livros para escolas e instituições socioeducativas + o nome do contribuinte nos agradecimentos + 1 livro para o contribuinte

R$ 150
Doação de 20 livros para escolas e instituições socioeducativas + o nome do contribuinte nos agradecimentos

INSTRUÇÕES 

Gabriel Souza da Silva Lima
314.263.198-43
Bradesco
Ag: 007915
Cc: 0000000029073-4


Enviar comprovante pelo Instagram, Whatsapp ou e-mail :

@coisas.international 

(fr) +33 6 32 10 03 03 
(bra) +55 11 98168-5397 
(ch)  +41 78 309 48 68

gbrlima@gmail.com